Não somos órfãos

Não somos órfãos
  • Data
    de 02/10/2014 até
  • Autor
    Pr. Jucimar Ramos
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“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: Ele nos deu o privilégio de sermos chamados filhos de Deus, e de fato somos filhos de Deus! Por isso o mundo não nos compreende, porque também não compreende o nosso Pai”. 1Jo.3.1

Eu a vi, num momento em que parei de olhar para o infinito. Eu estava sentado numa das cadeiras de espera da rodoviária de Vitória, enquanto meu ônibus não chegava e aproveitava para deixar minha mente relaxar e descansar um pouco; minha mente estava cansada por ministrar todo um final de semana, num seminário onde ensinara sobre Escatologia e involuntariamente eu estava apenas olhando para o infinito e então eu a vi.

Ela era uma menina de uns quatro ou cinco anos, um pouco raquítica, era parda e por suas vestimentas me parecia que estava indo ou vindo do interior. Ela tinha características de roceira; mas o que realmente me chamou a atenção foi que sua expressão facial era de uma menina perdida e ela parecia estar indo para “lugar nenhum”. Digo que ela parecia estar indo para lugar nenhum porque ela dava passos em varias direções como se não soubesse para onde ir e ao mesmo tempo como se estivesse procurando alguém. Quando vi a cena me senti muito tocado, saí de minha posição cômoda e comecei a me dirigir na direção dela, pois estava claro que ela estava perdida; digo isto, principalmente porque a cada passo que ela dava seu semblante ficava mais carregado e seus olhos se enchiam mais de lágrimas.

Na medida que me preparava para ajudar a menina, minha mente ficava imaginando como ela estaria se sentindo ali naquela rodoviária, no meio de centenas de pessoas indo e vindo em todas as direções; nenhum rosto conhecido; sem saber para onde ir, que ônibus tomar, completamente perdida; especialmente se eu estivesse certo em minha dedução de que ela viera da roça. De repente ela parou de dar passos incertos e ficou parada olhando numa só direção como que para ter certeza de que realmente estava vendo alguém e em seguida ela limpou as lágrimas e saiu correndo na direção para onde estava olhando. Percebi que daquela direção vinha um homem que eu quero crer que era seu pai; ela correu até ele segurou com força usando as duas mãos em uma das mãos do homem e completamente resolvida, aliviada em seu drama, começou a andar na mesma direção que seu pai.

Quando a menina foi embora, eu voltei para meu assento a pensar: o que mudou para ela agora? Nada, absolutamente nada! Ela ainda está perdida; ainda está num lugar estranho; ainda não sabe o que fará para sair deste lugar; ainda não sabe voltar para casa! Mas há uma, apenas uma diferença agora! Agora ela segura firmemente nas mãos de seu pai.

Naquele dia Deus me falou: muitos de meus filhos estão se sentindo tão perdidos na vida quanto aquela menina, porque não têm a ousadia de me chamar de pai e a fé de ignorar as circunstâncias e apenas segurar em minhas mãos. 
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